terça-feira, 14 de janeiro de 2014

A dor (II)


Se você já procurou um especialista para diagnosticar o que está por traz da sua dor, já iniciou um tratamento; já está trabalhando a auto reflexão e identificou hábitos que devem ser descartados, já os está eliminando e tomou atitudes para a sua reestruturação física/psicológica, usou-se da oração e do diálogo sobre a sua situação [post "A dor (I)"]. Agora é hora de dar um passo adiante. Vamos eliminar o que resta de sofrimento associado a essa dor, transmutando-o.
Saia um pouco da sua dor, mas não no sentido de fugir. No sentido de olhar para fora de si. Ter uma atitude menos egoísta e mais fraterna.
No momento em que entramos em contato com a dor de um irmão, a nossa dor diminui. Sempre há pessoas com dores maiores que as nossas e quando somos solidários, além dessa dor diminuir ela transmuta, pois nada se perde, tudo se transforma.
E não é preciso ir longe para fazer esse exercício. Um amigo, um parente, um vizinho, um colega de trabalho pode estar bem ali ao seu lado precisando de uma pessoa disposta a ouvi-lo.
Então não é necessário procurar, basta ficar mais atento que a oportunidade de ouvir logo logo vai surgir e quando você perceber que a oportunidade surgiu, pare. Não tenha pressa, fique atento ao que o seu irmão lhe diz. Mas preste atenção que a dor não é sua. É dele e Deus a colocou para ele por uma razão. Não a transfira para você.
Esse exercício só deve ser feito quando você já entrou num processo de cura. Já presenciei um caso em que uma pessoa em um momento de dor psicológica intensa entrou em contato com a dor alheia e piorou. Se sentiu ainda pior em perceber que o outro passando por uma situação mais desfavorável do que a dela, estava encarando o momento de uma maneira melhor. Mais ou menos isso que consigo colocar em palavras. Na verdade não consegui compreender plenamente o mecanismo que levou essa pessoa a piorar ao entrar em contato com a dor do outro, mas o fato é que ela estava muito fragilizada. Não estava minimamente forte para ter compaixão e talvez a dor do outro tenha se somado a sua própria dor e ela acabou não conseguindo digerir isso.
Bem, então proponho esse exercício nas condições citadas. Você perceberá que seus problemas não são tão grandes quanto acredita que são.
Namastê.

2 comentários:

  1. Acho que como você falou, é importante que a pessoa não esteja muito fragilizada pra não absorver e piorar mais o problema. Mas esse post me lembrou uma frase que te mandei um dia: "Um amigo me chamou pra cuidar da dor dele, guardei a minha no bolso. E fui." E é assim que a gente cresce, ajudando quem a gente gosta quando mais precisa.

    ResponderExcluir